[ – Super Matéria – ]Tudo sobre:veículos blindados de infantaria, e MBT´s

Fugindo só um pouquinho do tema do blog…

*Fontes.:RosoboroExport,Defesanet,Sistemasdearmas

postado por Igor Maxx em BF2brasil

Os Veículos Blindados de Infantaria – VBI – dividem-se em Veículos de Combate de Infantaria (VCI) e Veículos Blindados de Transporte de Pessoal (VBTP).

Os Veículos de Combate de Infantaria diferem do VBTP (Armored Personnel Carriers – APC) por terem capacidade de luta além de transportarem infantaria.

Os Veículos de Combate de Infantaria (Infantry Combat Vehicles – ICV ou Infantry Fighting Vehicles – IFVs), também chamados de Veículos de Combate Mecanizados (Mechanized Combat Vehicles – MCV), são projetados para a infantaria lutar montada e para realizar ações desmontadas. São geralmente armados com canhões em torretas de dois tripulantes. Têm blindagem melhor que o VBTP e peso maior que 20 toneladas.

Os VBI são empregados principalmente em grupos de batalha combinados com Carros de Combate – CC (ou Main Battle Tank – MBT). Isso implica em operações na zona de fogo direto, que requer que o VBI seja bem blindado. Isso também implica que o VBI deve se mover no mesmo terreno do CC, o que geralmente requer que ele use tração do tipo esteira.

A necessidade de VBIs existe desde o inicio da guerra blindada e em 1917 já se pensava em transportar tropas em compartimentos blindados na traseira de alguns veículos. O Tank Mark IX foi projetado no verão de 1917 e tinha uma tripulação de 4 pessoas, podendo transportar 30 soldados. Tinha seteiras que permitiam a alguns dos soldados atirarem por elas. Foram construídos 34 de 200 encomendados à Armstrong Whitworth em Newcastle-Upon-Tyne. A Primeira Guerra Mundial terminou antes que pudessem ser empregados em combate.

O primeiro VBI apareceu durante a Segunda Guerra Mundial na forma de transportes meia largata, primeiro na Alemanha e depois nos EUA, que eram uma caixa blindada ao redor que transportava tropas.

Alguns carros de combate (CC) M-4 Sherman foram usados para proteção de infantaria, mas com uso limitado. A maioria (cerca de 100/200) foram convertidos a partir da versão canadense do Sherman: o “Ram”. Foram organizados dois batalhões alocados à 79ª Divisão Blindada. Sua designação, muito adequada, era “Kangaroo”. Além desses, na Itália, um número não conhecido de Shermans e de sua versão de artilharia “Priest” ; foram também convertidos em Kangaroos.

O VBTP foi desenvolvido como uma "caixa blindada com rodas" após a Segunda Guerra Mundial. Na década de 50, apareceram os "caixa blindada com esteiras". Os VBTP sobre rodas não desapareceram e tomaram outros papéis como segurança e reconhecimento. O desenvolvimento dos VBTP foi direcionado pela necessidade de acompanhar os CC no campo de batalha.

Os VBTP da classe do M-113 são chamados de "taxi de batalha", ou veículos desejáveis apenas para transportar infantaria para ação desmontada. Algumas funções do campo de batalha só podem ser realizadas por infantaria a pé, e a capacidade do VBTP de transportar tropas para esta função com proteção blindada é a razão de ser para o desenvolvimento dos Veículos Blindados de Infantaria.

Requerimentos

O perfil de um VBI é ditado por requerimentos táticos e tecnologias. Uma tecnologia revolucionária geralmente direciona as táticas. Ele deve ser projetado para atuar em conflitos de alta e baixa

intensidade. Para simplificar, um conflito tem intensidade alta (CAI) ou baixa (CBI). Conflito de média intensidade geralmente levava a confusão. CBI significa pouca ameaça em 99% dos engajamentos ou tempo.

Um entendimento da relação entre táticas e tecnologias atuais é importante para discussão das táticas, requerimentos e possíveis tecnologias de um VBI.

O primeiro VCI moderno, o BMP-1 russo, foi resultado de um requerimento de proteção contra armas Químicas, Biológicas e Radiológica (QBR), principalmente contra armas nucleares. Os veículos ocidentais foram baseados no BMP-1 mesmo sem considerar a necessidade de proteção contra armas nucleares. O resultado são veículos baseados num conflito que não existiu (Guerra Fria) e contra ameaças nucleares.

Foram poucos os ensinamentos resultantes de conflitos reais. Os melhores são de conflitos de média-altas intensidade entre Árabes e Israelenses.

Portanto, os requerimentos funcionais dos VBIs são:

– Fornecer transporte e proteção para infantaria

– Fornecer apoio de fogo para infantaria durante o combate

A partir desses requerimentos, será possível analisar quais são as melhores tecnologias que podem satisfazer a necessidade do projeto.

Os componentes de projeto clássicos de um VBI são capacidade de tripulantes, poder de fogo, proteção e mobilidade. A orientação espacial é importante do ponto de vista das tropas desmontadas e a flexibilidade é um componente importante para operações de baixa intensidade. Questões de custo tornam a padronização de componentes importantes.

Tripulação

A tripulação do VBI pode ser dividida em duas equipes de fogo. A que permanece no VBI, geralmente o motorista e comandante e as vezes um atirador, e uma equipe adicional de fogo desmontada.

A tabela abaixo mostra alguns exemplos de VBI sem considerar qual deveria ser o tamanho ideal da equipe de desmontada:

Veículo

País

Tripulação

M-2 Bradley

EUA

3 + 6

BMP-2

Rússia

3 + 6

Marder

Alemanha

3 + 6

AMX-10P

França

3 + 8

Warrior

Reino Unido

3 + 7

Achzarit

Israel

3 + 7

Na evolução dos VBTP para VCI, o número de tripulantes diminuiu. Enquanto o M-113 levava 11 tropas desmontadas e 2 tripulantes, o M-2 leva apenas 6 tropas desmontadas e 3 tripulantes. Por outro lado, o M-2 foi projetado para ser uma equipe de fogo adicional em apoio à tropa desmontada. O ideal é levar cerca de 8 tripulantes ou mais tropas desmontadas na 2ª equipe de fogo. Uma equipe de fogo de 6 é insuficiente pois se perder 1 ou 2 antes ou durante o combate ela torna-se inefectiva.

Se o VBI deve dar apoio de fogo à primeira equipe de fogo, ele também deve ter capacidade de sobrevivência para isso. Os VCI atuais são tão vulneráveis a armas anti-carro como os VBTP de 30 anos atrás. O resultado é uma equipe de fogo de tamanho pequeno em um VBI frágil. Para ser efetivo, convém que o VBI seja bem defendido e a equipe de fogo desmontada de tamanho maior.

Poder de Fogo

A escolha do armamento é considerado um dos pontos iniciais do projeto, pois tende

a determinar as dimensões críticas do projeto.

Devido à tarefa de transportar tropas e funcionar como equipe de fogo, as tarefas que cabem ao VBI no campo de batalha são:

– Supressão de infantaria inimiga ou armas guiadas anti-carro (ATGW) em campo aberto ou com cobertura leve;

– Supressão de infantaria inimiga ou ATGW abrigados ou sob coberta ( trincheira ou com cobertura pesada);

– Supressão ou destruição de veículos leves ou blindados leves.

A função de engajar CC inimigos não está na lista. Ao engajar um CC, o elemento desmontado será colocado em risco e, por isso, não convém que seja missão dos VBI. Os CC inimigos devem ser engajados pelos CC que acompanham os VBIs ou pela tropa desembarcada com seus sistemas anti-carro se o VBI não estiver acompanhado por CC ou por veículos especializados.

As categorias gerais de armamentos que podem equipar um VBI são:

– Canhão de baixa pressão/alta velocidade. Um canhão pesado de 75-120mm seria o ideal num híbrido de CC e VBI. A consequência seria a diminuição do espaço para infantaria em favor da munição. A munição armazenada também será perigo para a tropa no caso do veículo ser atingido. A torre do canhão adicionará peso, perfil mais alto e diminuição da tropa. Um canhão pesado com um sistema de pontaria avançado só compensa ser instalado em um CC pois é necessário ter muita proteção para sustentar qualquer tipo de fogo de retorno, direto ou indireto, além de ser muito caro.

O único VBI com essa capacidade é o CC israelense Merkava, que tem capacidade de levar 5-6 infantes no compartimento traseiro mas, mesmo assim, tal capacidade não é utilizada.

Também não compensa colocar um canhão pesado com um sistema de pontaria sofisticado num carro blindado só para destruir construções e fortificações. Contra prédios e fortificações basta um canhão sem recuo (CSR).

Uma mira laser permite que um CSR M-40A2 de 106mm acerte alvos estacionários a 1.700m e a 800m com o CSR-84mm Carl Gustav. Um sistema de visão noturna permite o uso à noite e o telêmetro permite o uso de espoleta programável para explodir acima de trincheiras. Nos testes iniciais com a mira CLASS (Computerized Laser Sight), o Carl Gustav atingiu uma probabilidade de acerto no primeiro disparo de 74% contra 28% da mira ótica.

O CSR pode ser desmontado e/ou levado pela tropa desembarcada. O M-40A2 pode ser atachado na carroceria dos blindados ou veículos qualquer terreno. Isso já foi feito no Vietnã quando o M-40 era instalado no lado direito da torre do M-113. É uma arma potente e barata, apesar de ter uma baixa cadência de tiro (2-4 TPM). Pode ser usado em suporte múltiplo de 2 ou 4 canhões. Por outro lado, os CSR tem assinatura sonora e visual significativa. A munição dos CSR-84 é quatro vezes menor que a do M-40 e pode ser levada em maiores quantidades.

O BMP-3 Russo é o VCI mais bem armado atualmente. Usa um canhão de baixa pressão 2A70 de 100mm capaz de lançar mísseis guiados a laser 9M117 Bastion com alcance de mais de 4km. Está acoplado com um canhão automático de 30mm. Foi adquirido pelo Chipre (43), EAU (391), Kuwait (118) e Coréia do Sul (23). A configuração interna é a mesma do veículo de combate paraquedista BDM-1 com o motor na parte traseira. O espaço interno é pequeno, podendo levar cinco infantes e com entrada apertada acima do compartimento do motor. A versão K é usada como ponto de comando, a F é adaptada para uso por forças anfíbias e a versão K de reconhecimento também é chamada Rys (Lince).

– Míssil anti-carro. O primeiro VBI a levar mísseis anti-carro foi o BMP-1 russo e esta prática foi perpetuado em outros modelos de VBI.

Esta prática tem o mesmo problema do canhão: diminuição da tropa devido à munição e torre. Também foge da função do VBI. Os engajamentos com mísseis anti-carro são na maioria das vezes em curto alcance, entre 500-1.000 m, e os mísseis guiados por cabo tem pequena cadência de tiro e são lentos, permitindo o fogo de retorno inimigo. Também tem limitações de visibilidade

e alcance. São geralmente usados contra alvos compensadores.

Os mísseis permitem que o VBI engaje os CC a longa distância, mas expõe a infantaria a grande risco. Isso pode ser evitado colocando os mísseis em plataformas dedicadas, que não levam infantaria. Isso vem sendo adotado em vários exércitos, sendo o veículo anti-carro geralmente um derivado dos VBI.

Nas tática de blindados, os VBI atuam junto com os CC que combatem os CCs inimigos, apesar dos CC também engajarem todos os tipos de alvos. Se o VBI está atuando sem a compania de CCs, ele tem que engajar os CCs inimigos. A relação entre a tropa desmontada e o VBI é a mesma entre o VBI e o CC. O VBI leva a tropa aonde for preciso e dá apoio de fogo quando ela está desmontada. Em contribuição, a tropa desmontada dá fogo supressivo quando o VBI está se movendo, luta contra a infantaria inimiga desmontada e usa suas armas anti-carro contra ameaças blindadas.

Para se ter uma idéia da capacidade da equipe desmontada, é só citar a munição normalmente levada pelo M-113 do US Army: 2.000 projéteis 5,56mm, 2.500 projéteis 7,62mm, 3.320 projéteis 12,7mm, 6 LAW, 6 AT4 e as mochilas e munição com os infantes.

Canhão automático leve. O objetivo de armar VBI com canhões melhores é derrotar os VBI inimigos. Isso entra em conflito com as funções do VBI, pois reduz o espaço para a infantaria e balanceia para a função de VCI, expondo pessoal a perigo adicional, o que não contribui para diminuir baixas.

Um canhão automático leve fornece supressão de infantaria, veículos leves e blindados. A

munição ocupa pouco espaço e a torre pode ser pequena e até nem existir. É eficiente para

apoio de fogo de infantaria desmontada.

O calibre dos canhões automáticos usados nos VBI atuais varia de 20 a 30mm. O M2 Bradley

do US Army é armado com M242 Chain Gun de 25mm. O Warrior britânico é armado com o RARDEN de 30mm. Os russos equipam o BMP-2 e BMP-3 com o 2A42 and 2A72 de 30mm. O

Mauser F de 30 mm equipa o ASCOD/Pizarro austro-espanhol, o Marder alemão, o Mowag

Trojam suíço e o AMX-10 francês e o McDonnell Douglas Bushmaster II de 30mm equipa os CV9030 noruegueses.

Os calibres de 20-30mm mostraram-se ineficazes para baterem os VCI com blindagem adicional. O calibre dos futuros VCI está aumentando para 35-45mm para dar conta dos VCIs atuais. Como exemplo temos o CV-90-40 Sueco armado com oBofors 40/70 Ba. O Type 89 japonês é armado com um Oerlikon KDE de 35mm. O Marder 2 foi equipado com o Heinmetall Rh 503, que poderá ter um calibre de 35 ou 50mm. O projeto foi abandonado e o canhão foi testado no M-2 Bradley.

A OTOBreda está desenvolvendo uma torre de dois tripulantes equipada com um canhão de alta velocidade de 60mm com 70 calibres. Está sendo instalada no VCI Dardo armado atualmente

com o Oerlikon KBA de 25mm. A torre com o T-60/70 deverá armar o BWP-2000 polonês.

Os VBTP com canhões são simplesmente formas baratas de VCI. Os VBTP devem ser armados apenas para autodefesa. Armas sofisticadas e sistemas de pontaria complexos os tornam caros para transportar tropas. A diminuição do armamento para compensar aumento do peso não é usada correntemente e sim o contrário.

As torres com canhões automáticos geramente tem peso entre 1.500 a 2.000kg. Torres menores podem ser estações de armamento com apenas um tripulante e as com peso maior tem um canhão com maior calibre ou mais blindagem.

As torres de dois tripulantes são preferíveis pois tem maior probabilidade de atingir o alvo devido ao efeito de técnicas "hunter/killer" entre o comandante e atirador enquanto as torres com um tripulante tem problemas de sobrecarga de trabalho e questões de comando e controle. A escolha depende da função e capacidade do chassi.

A empresa Arsenul Armatei romena está comercializando o MLI-84M (BMP local) com a torreta OWS-25R da Rafael armado com um canhão Oerlikon Contraves 25 mm KBA e que pode receber um par de lançadores de mísseis anti-carro.

Lança-granadas automático. É uma arma desejável pois ocupa muito pouco espaço e pode engajar tropas, veículos leves, blindados leves e fortificações leves. Pode ser usada em fogo direto e indireto, batendo tropas entrincheiradas e atrás de obstáculos. É ótimo para lançar cortina de fumaça para a infantaria. Com sistema de pontaria a laser é capaz de atingir alvos a 1.000 metros com precisão.

Metralhadora. É barata e ocupa muito pouco espaço podendo ser usada contra tropas e

veículos leves. É a opção se a prioridade for transportar tropas. Pode até ser a mesma metralhadora usada pela tropa desmontada, o que facilita a logística. Metralhadoras e canhões automáticos são a arma de escolha contra helicópteros e aviação inimiga.

Canhões antiaéreos automáticos autopropulsados com sofisticado sistema de pontaria,

têm capacidade de bater alvos no solo. Possuem a mesma capacidade dos canhões automáticos, mas com um sistema de pontaria muito mais sofisticado e preciso. O CC israelense Merkava Mk3 Baz tem um sistema de pontaria tão sofisticado que é capaz de derrubar helicópteros a mais de 2 km de distância com munição APDS e HEAT.

Para melhorar a efetividade de suas armas, os VCI estão sendo equipados com sensoresde imagem térmica, telêmetro laser e sistemas de estabilização do canhão, a exemplo dos CCs. É uma medida que aumenta consideravelmente o custo do veículo assim como a torre e armamentos.

O uso de seteiras para disparos de armas internamente pela infantaria também está saindo de uso, como na Alemanha e nos EUA, por diminuir a blindagem e serem ineficazes.

O uso do VCI para derrotar VCIs inimigos e até mesmos os CC, ao mesmo tempo que transportam tropas, é altamente questionável por expor as tropas a riscos desnecessários. O mais sensato é separar os papéis, por razões técnicas e operacionais, e confinar o armamento a um só veículo. O propósito das tropas seria ações desmontadas, para autodefesa ou apoio de fogo de curto alcance.

Se a infantaria precisar derrotar os VCIs inimigos, ela acabará precisando de veículos dedicados que não levam tropas. Esse veículo também poderia ser capaz de defender contra helicópteros. Esse conceito já foi testado na década de 70 com o Begleitpanzer alemão, que era um Marder armado com um canhão Bofors de 57mm. Esse conceito não avançou no tempo por questões de aerotransporte versus blindagem.

A infantaria também precisa de transportadores de morteiros, lança mísseis anti-carro e blindados de comando, ambulância e socorro, outros componentes de grupos de batalha blindado. Esses veículos costumam ser derivados do VBI, formando uma família de veículos.

PROTEÇÃO

A proteção de um blindado pode ser classificada em passiva e ativa:

– Passiva. É a blindagem normal e este nível de blindagem depende da missão. Se o VBI atuar

em segurança de área de retaguarda, ela pode ser o suficiente para suportar armas leves. Em áreas de alta intensidade, ela deve ser adequada à missão. Se tiver que atuar junto com um CC, ela deve ter o mesmo nível deste. Esse conceito é usado por Israel e foi uma das faltas notadas

na Chechênia pelos russos. Adicionar proteção aos VBIs coloca em conflito requerimentos de mobilidade terrestre, aeromobilidade e capacidade anfíbia.

Blindagem adicional deve ser prevista para adaptar entre os requerimentos diferentes de proteção dos conflitos de baixa e alta intensidade e permitir aeromobilidade e uso anfíbio quando estiver sem a blindagem adicional.

Enquanto os projéteis HEAT (carga ôca) e perfurante têm que penetrar blindagem num ponto preciso para ser mais efetiva, os projéteis de explosão externa, bem maiores, destróem ou danificam o blindado sem ter que atingi-lo. Esse tipo de munição não é usada em mísseis. A munição HESH (High-Explosive Squash-Head) de canhões de blindados pode atingir, mas não penetra o alvo. Ela se baseia na força concusiva para gerar fragmentos de alta velocidade lançados no interior do blindado (chamados spall em inglês). A energia da explosão no exterior do veículo é transmitida para objetos dentro do veículo que são lançados na mesma direção do projétil. Esses fragmentos danificam máquinas e matam ou ferem tripulantes. Os fragmentos são a maior ameaça dos cavalarianos, não importa qual tipo de arma esteja sendo usada contra eles, os blindados modernos usam coberturas internas (spall liners) para minimizar tais riscos.

Ativa. São medidas para proteger ameaças próximas do veículo. São as blindagem reativas

( Explosive Reactive Armor – ERA) e medidas de defesa aproximadas (PDS).

A ERA foi inventada pelos israelenses na década de 70 e consiste em um sanduiche de metal com explosivo no meio. A blindagem reativa explode em contato com o disparo inimigo em uma direção contrária, defletindo a energia química e cinética para diminuir a capacidade de penetração. É mais efetivo contra munição de energia química (carga oca por exemplo). Ela é adicionada em blocos e pode pesar até 10 toneladas no total. Uma contramedida é usar munição leve para detonar este tipo de proteção e criar confusão nas tropas inimigas. O efeito desta explosão "amiga" na tripulação não é muito agradável, mas é melhor do que ser morto.

Os mísseis anti-carro atuais têm cabeça de guerra dupla, sendo que a primeira é usada para detonar a ERA e permitir que a segunda penetre no tanque.

Medidas de defesa aproximada (PDS) são explosivos anti-pessoal acionados manualmente e afixados externamente no veículo para proteção contra tropas desmontadas. Ela fornece proteção contra inimigos próximos do veículo. São muito necessários em conflitos de baixa intensidade. Israel usa minas Claymore externamente nos seus blindados para proteção aproximada. Os PDS podem ser ativados de dentro do blindado para limpar uma área de desembarque.

O VBTP Zelda 2 é um M-113 com blindagem adicional da Rafael.

Uma das críticas constantes em relação aos VBTP é a pequena proteção blindada, geralmente limitada contra projéteis de 7,62mm e estilhaços de artilharia. Isso fica evidente ao operarem ao lado de CC. A necessidade de melhorar a capacidade de sobrevivência dos veículos tornou-se urgente nas operações de paz, onde a redução de baixas é de extrema importância política.

Uma forma de resolver o problema é a adição de blindagem tipo appliqué. Ela melhora a

proteção contra projéteis de até 14,5mm e reduzem o efeito de armas de carga oca, como o RPG-7. A proteção contra projéteis de carga oca precisa de blindagem ERA e formas híbridas.

O aumento de peso de um M-113 com blindagem adicional pode variar de 650 kg a 2 toneladas.

Os VCI passaram a ser protegidos até contra armas de 30mm, o armamento dos VCI inimigos.

A blindagem típica, como a do M-2 Brandley, era contra projéteis de 14,5mm perfurantes. Os

atuais têm proteção contra canhões de 30mm com munição sabot (APDS), como o CV9030

sueco. Mesmo assim, essa proteção é inferior aos CC.

O M-2 teve seu peso aumentado de 22 toneladas para 30 ton contra 44 ton do Achzarit, que

tem proteção no mesmo nível de um CC.

Apesar de toda a proteção, uso de blindagem adicional e ERA, os VBI ainda têm blindagem

menor que os CCs que os acompanham. A necessidade de proteção contra cargas moldadas, como o RPG-7, levou à pesquisa de VBI pesadamente blindados.

Na década de 60, o exército britânico desenvolveu o MICV com blindagem Chobham, e o exército americano considerou um VBI com blindagem especial chamado Special Armor IFV (SAIFV), baseado no chassi do M1 na década de 70, e o Future IFV (FIFV), baseado no chassi do CC do programa Armored Systems Modernization (ASM) da década de 90. A Alemanha estava considerando um VBI altamente blindado como parte do programa Neue Gepanzerte Plattformen (NGP) de um chassi de plataforma de armas.

Apenas a Israel (IDF) colocou em serviço um VBI com blindagem comparável aos CCs: o Achzarit de 44 toneladas baseado no chassi do T-55. A blindagem adicional limitou o armamento a metralhadoras.

Os Russos estão comercializando o BMP-4/BTR-T, uma conversão do T-55 com um chassi de altura maior (torre removida) para levar tropas na parte frontal do veículo. É armado com um

canhão de 30mm operado remotamente e um lança míssil AT-5 Spandrel.

A Sofex da Jordânia mostrou conceitos semelhantes desenvolvidos em conjunto com a King Abdullah II Design & Development Bureau, baseado no Tariq (Centurion) : o AB13 com a Malyshev da Ucrânia e o AB14 com a Mechanology Design Bureau da África do Sul.

O uso dos VBI em operações de paz resultou em uma maior importância da blindagem, principalmente contra armas portáteis de carga moldada, para diminuir o risco de baixas por razões políticas.

Os meios de sobrevivência adicional incluem sistemas de alerta laser, como o equipado no blindado Type 89 japonês e no Dardo Italiano. Em 1996, um interferidor IR foi instalado nos

Bradley M-2A2 após o sucesso com os AMX-30B2 e AMX-10 franceses na Guerra do Golfo.

Os interferidores IR e flares são usados para interferirem na nos sensores de guiagem de

mísseis SACLOS.

Essas medidas são necessárias em conflitos de alta intensidade, quando o inimigo pode ter recursos sofisticados. Os detectores de laser podem ser acoplados em lançadores de fumígenos, que disparam as granadas automaticamente para atrapalhar a pontaria inimiga. Por outro lado,

o inimigo pode disparar seus telêmetros laser, indiscriminadamente, para detectar blindados inimigos escondidos. Uma contramedida contra os detectores laser é apontar o telêmetro para um objeto próximo ao alvo. A distância deve ser de pelo menos três vezes o tamanho do alvo. Os detectores laser também detectam iluminadores laser.

Radares de ondas milimétricas são usados para detectar projéteis disparados contra o blindado e direcionar cargas explosivas para detruí-lo antes que seja atingido. A contramedida é saturar o alvo com disparos de mísseis ou canhões. Os britânicos já testaram com sucesso o lançamento de dois mísseis Milan controlados por uma única estação de disparo para saturar um alvo protegido por um sistema semelhante.

Sistemas de alerta radar podem ser usados para detectar radares de vigilância terrestre ou aerotransportado. O objetivo é evitar radares SAR com refletores de canto para esconder formas. Mísseis guiados por radares de onda milimétrica podem ser enganados com chaff.

MOBILIDADE

A mobilidade dos VBI deve ser baseada na velocidade dos CC que acompanham. Na operação Tempestade do Deserto, a 24ª Divisão de Infantaria avançou 130 km no primeiro dia de guerra, viajando a 45-55 km/h contra oposição fraca (50 km x 12 h = 600 km). A velocidade média real

foi na verdade muito menor, pois os veículos avançam um trecho e param, à procura de alvos.

Os requerimentos devem levar em conta a transposição de terrenos não pavimentados e deslocamento em formação. Como o M-1 Abrams tem autonomia de 6 h (e gasta 45 litros por milha – 1,6km), o deslocamento/avanço é feito em pulsos com a ultrapassagem por outras unidades reabastecidas enquanto esperava o reabastecimento.

Os requerimentos de velocidade estão relacionados com a potência do motor. Uma alta potência significa um motor superdimensionado, com peso maior e maior necessidade de combustível. O resultado é um peso maior e menor capacidade de transporte de tropas e armamentos. Uma relação de 20 hp/tonelada é o suficiente.

Outra controvérsia é o uso de esteira ou rodas. A esteira é claramente superior na mobilidade tática. As rodas são superior na mobilidade estratégica, podendo o blindado deslocar-se rapidamente por grandes distâncias, e com custos menores. Os blindados sobre rodas são

mais atrativos a longas distâncias e em operações de paz.

A controvérsia é o uso de esteira para garantir que os VBI sempre estejam ao lado dos CC no campo de batalha ou se utiliza rodas para diminuir o transporte dos blindados em pranchas para deslocamentos a longa distância. O uso de rodas ou esteira dependeria da prioridade estratégica ou tática e se os VBI atuariam sozinhos ou em conjunto com os CC.

Os franceses estão tendo problemas de com seu CC Leclerc pois os blindados sobre rodas VABs e até o AMX-10P de esteira não estão conseguindo segui-lo. Os estudos para solucionar os problemas indicaram o envio dos VCI inicialmente no caso de combates de média intensidade ou uso do Leclerc de forma autônoma em incursões blindadas. A infantaria francesa não luta montada e o Leclerc tem que desacelerar se tiver que operar numa área ao mesmo tempo que a infantaria.

Alguns blindados podem usar rodas por não fazerem parte de um grupo de batalha blindado em contato direto com o inimigo na zona de fogo direto. Eles têm limites inferiores de vibração e barulho (até o M-41 é bem barulhento e faz a terra tremer), tornando o percurso menos fatigante para os ocupantes. Geralmente usam estradas e consumem menos combustível, cerca da metade de um equivalente de esteira.

A aeromobilidade é importante se for uma missão prioritária da força. Até os EUA usam raramente o transporte aéreo de blindados. Ou o blindado já está no campo em zonas de risco ou é levado em grande parte pelo mar. Um exemplo é a Guerra do Golfo, devido à sua importância.

A capacidade anfíbia não é necessária se o VBI estiver acompanhando os CC. Em uma travessia, os VBI anfíbios atravessariam e os CCs ficariam na margem oposta esperando acesso ou teriam que se separar para cruzar em pontos diferentes. Outro argumento contra é que a capacidade anfíbia também é raramente usada. Os CCs e VBIs pesados podem usar snorkel para atravessar trechos rasos.

A mobilidade também está condicionada com a estrutura de transporte do local de operações.

No caso de um conflito na Europa contra os russos, a OTAN teria que usar pontes rodoviárias

que têm limitação na capacidade de peso dos veículos. Isso determinou que os seus CCs teriam menos de 60 toneladas. No Brasil, esse peso é de 30 toneladas junto com as pranchas para transporte rodoviário. As dimensões de túneis ferroviários também limitam o tamanho dos blindados para transporte ferroviário. As pequenas pontes de estradas secundárias e não pavimentadas têm limite de capacidade de peso ainda menor.

CONSCIÊNCIA ESPACIAL

A Consciência Espacial é a percepção do espaço ao redor em um dado ambiente. É importante que a tropa desmontada possa orientar-se rapidamente em relação aos arredores antes de sair

do veículo. O Achzarit, por exemplo, tem grande campo de tiro para os ocupantes.

O uso de periscópios oferece uma limitada visão externa e não tem meios de visão noturna. Sistemas de vídeo já são usados para orientarem o comandante em alguns veículos.

Israel está equipando seus blindados com torretas com vidros blindados com visão de 360

graus, para dar grande visibilidade aos tripulantes.

FLEXIBILIDADE

Um requerimento dos VBIs do século XXI é ser capaz de operar em conflitos de baixa e alta intensidade. O VBI deve ser capaz de ser reconfigurado de acordo com as necessidades. Um

CBI também tem pouca ameaça em 99% de sua duração com picos de ameaças intensas.

A flexibilidade operacional está relacionada com mobilidade, proteção e poder de fogo. Por exemplo, a mobilidade tática não é importante em conflito de baixa intensidade.

No conflito da Somália, o castigo americano foi o lança-foguete RPG-7 russo. A proteção pode variar de armas cinéticas de 7,62-23mm até armas químicas de 100mm em períodos de baixa intensidade, até armas cinéticas de 125mm e químicas de 150mm em alguns picos de alta intensidade. Em conflitos de baixa intensidade, o armamento pode ser leve, como metralhadoras

e lança granadas automático.

O veículo também deve ser capaz de dar proteção em missões de ajuda humanitária, se necessário.

VBI DO SÉCULO XXI

Com os dados acima é possível determinar os requerimentos de um VBI para o século XXI com ênfase no transporte de tropas:

– Tripulação: 2 + 8+

– Armamento: Lança granadas e metralhadoras

– Proteção: Passiva de 1300mm contra munição química e 600mm contra munição cinética, ERA

e PDS.

– Peso: até 55 t. No Brasil o ideal é menos de 30 t.

– Mobilidade: velocidade de mais de 50 km/h fora da estrada e 80 km na estrada.

– Consciência espacial: 360 graus para comandante do blindado e grupo desmontado. Visão

parcial para outros tripulantes e motorista.

– Flexibilidade: proteção e armamentos reconfiguráveis, de acordo com a ameaça

BLINDADOS DE RECONHECIMENTO

Uma consequência do fim da Guerra Fria foi a diminuição do interesse em carros de combate. Por outro lado, os veículos de reconhecimento blindados passaram a ter mais atenção. O motivo foi a mudança na natureza dos possíveis conflitos que criaram incertezas sobre as ameaças e sua localização. Os meios de adquirir informações sobre forças hostis e o terreno de operações se tornou mais importante que antes e os blindados de reconhecimentos são um meio importante. As informações necessárias podem ser conseguidas por outros meios como satélites e aeronaves. Contudo, o reconhecimento em terra será uma parte essencial do processo de coleta de informações.

Uma variante blindada do VBI para operações de reconhecimento, os Veículos de Reconhecimento de Combate – VRC, tem requisitos bem diferentes. Ele pode usar rodas ou esteiras dependendo do local de operações. A mobilidade estratégia é mais importante e pode ser a mais importante em cenários de grandes extensões. Os VRC também podem cumprir missões de reconhecimento atrás das linhas inimigas e por isso devem ser bem blindados e com tração por esteira.

O armamento é apenas para autodefesa com função secundária de apoio de fogo, se for necessário. Alguns países usam VRC bem armados para reconhecimento pelo fogo, contrareconhecimento, cobertura, guarda de retaguarda contra assaltos aéreos e escolta de comboios. São tarefas que liberam os CC para combater ameaças mais importantes.

Alguns países, como a Alemanha, usam CCs para apoiar os VRCs se for necessário apoio de fogo pesado.

A blindagem também pode ser importante em algumas situações como missões de paz. Os Centauros italianos não precisaram do seu canhão de 105mm quando estavam na Somália, mas sentiram muita falta de blindagem.

Outros países usam os VRC de modo furtivo e apenas para coleta de informação como os britânicos. Eles só entram em contato com o inimigo e são armados apenas para se defender de ameaças leves.

Alguns VRC levam uma equipe desmontada para reconhecimento a pé. Esta equipe pode ser levada por um veículo dedicado para transporte de tropas.

A função dos VRC é engajar o inimigo visualmente, reportar sobre a situação das tropas

inimigas para engajamento das tropas de manobras (infantaria, cavalaria e aviação) e apoio de fogo (artilharia). Obviamente, ele tem que sobreviver para cumprir a próxima missão. Para isso,

ele deve ter blindagem leve, que fornece proteção para a tripulação contra armas automáticas, estilhaços de artilharia e armas anti-carro. Convém ser anfíbio para não precisar de apoio de engenharia.

RDM Stalker 2T da Bielorussia e Rússia. É uma versão do BMP para operações especiais e reconhecimento na retaguarda inimiga. É armado com mísseis anti-carro ATAKA e mísseis superfície-ar Igla, canhão de 30mm, lança granadas de 30mm e metralhadora de 7,62mm. o sistema de pontaria é automatizado.

O VRC deve ser equipado com sensores multiespectrais para detecção de alvos, preferencialmente em um mastro extensível, e sistemas de comunicações de curto e longo alcance completo.

O uso de VBI adaptados é ideal para aproveitar o grande espaço interno e para levar uma equipe desmontada para ações fora do veículo.

X-3A1 Achzarit

A Força de Defesa de Israel (IDF em inglês) foi a primeiro Exército a usar um VBI altamente blindado pois seu CC Merkava era capaz de levar um grupo desmontado na parte traseira. Os americanos, britânicos e alemães também consideraram o desenvolvimento desses veículos, mas a IDF está sozinha em aceitar a lógica que os VBIs, que devem cooperar em proximidade com os CC, devem ter o mesmo grau de proteção.

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O Merkava é o primeiro VCI pesado a entrar em produção, mas não é usado nesta função. Já foi testado com VBTP sem a torre mas seria caro. A adaptação de outros modelos sairia mais barata. Na foto temos o Merkava Mk3 Baz.

O Merkava com seu motor frontal deveria ter sido a base para um VCI, mas por razões de custo os israelenses baseram seu VBI-P em um chassi muito modificado de tanques T-54/T-55 russos capturados.

O General Tal da IDF, especialista mais famoso de Israel em relação aos blindados, teve a idéia de fazer os blindados de infantaria mais blindados que os CCs, pois a infantaria tem que tomar o objetivo ao avançar sobre ele, enquanto os CCs precisam apenas dominá-los pelo fogo à longa distância.

Os estudos foram iniciados em 1982 e o resultado foi o X-3A1 Achzarit (Cruel) de 44 toneladas com o primeiro protótipo construído em 1987. O requerimento era um transporte de tropas bem protegido para acompanhar o Merkava. Foi comparado com o Nagmachon e venceu. Os israelenses estavam insatisfeitos com o desempenho do M-113 no Líbano.

O Achzarit iniciou a produção em 1988 e entrou em serviço em 1989 na IDF, sendo mostrado ao público em 1995.

A empresa Nimda foi responsável em reconstruir e adaptar o CC russo T-54/T-55 para a nova função. Centenas desses tanques foram capturados em guerras anteriores contra os Árabes.

O veículo mantém as esteriras e as grandes rodas do T-54/T-55, mas a suspensão foi modificada.

No Achzarit Mk1 o motor russo foi trocado pelo motor diesel de dois tempos Detroit 8V-71 TTA de oito cilindros, refrigerado a água e com 650hp. É o mesmo motor do obuseiro autopropulsado M-109 de 155mm também usado por israel. A transmissão hidropneumática acoplada Allison XTG-411-4 o torna fácil de dirigir. O ar pode ser retirado do compartimento do motor ou do compartimento da tripulação.O Achzarit Mk1 usa o motor 8V-92 TA com 850hp e transmissão Allison XTG-411-5.

Embora o motor fique na traseira, o motor é compacto o suficiênte para deixar uma passagem entre o compartimento da tripulação e a traseira do blindado sem modificar o chassi. Esta passagem é coberta por uma porta do tipo casca de ostra operada hidraulicamente, sendo que a parte baixa é uma rampa de entrada e saída, e a parte superior é levantada para aumentar a altura da saída. O motor traseiro também ajudou a compensar a blindagem adicional na parte dianteira.

O total de blindagem e o tipo usado não foi revelado, mas pode ser deduzido pelo peso.

Enquanto o T-54/T-55 pesa 36 toneladas, ou 27-30 t sem a torre, o Achazarit pesa 44 t. O comprimento também aumentou de 3,27 m para 3,64 m. A proteção é alta e a silhueta é de

apenas 2 m até o topo do chassi. A blindagem é concentrada ao redor do compartimento da tripulação.

O Achzarit tem uma silhueta bem baixa. Atinge 2 metros de altura até o topo. Os VBI-P podem escoltar os

Carros de Combate e não o contrário, como é comum nos casos de VBTP pouco protegidos.

Vista traseira mostrando a porta tipo casca de ostra. O motor foi colocado no eixo longitudinal para deixar espaço para a porta e o comprimento do casco foi aumentado. O peso traseiro foi compensado com aumento da blindagem frontal.

O compartimento da tripulação foi projetado para levar 10 tropas, incluindo o motorista localizado

à esquerda. À sua direita, está o chefe de viatura, e mais para a direita, o metralhador. Os outros sete tripulantes ficam em bancos para três lugares nas laterais e mais um no centro da parte traseira. A parte superior do compartimento é aberta sobrando bastante espaço para apetrechos. Cada acento tem uma mangueira para um sistema individual de proteção QBR, que libera ar puro para as máscaras da tripulação.

Em cada lado do compartimento tem mais duas escotilhas adicionais para a tropa desmontada.

O motorista tem quatro periscópios e as tropas desmontadas têm dois periscópios à esquerda

e quatro à direita. Eles permitem que os tripulantes tenham uma visão ao redor com as escotilhas fechadas.

O atirador usa uma torre da Rafael OWS com uma metralhadora MAG de 7,62 mm, que pode ser disparada de dentro do veículo sem expor o tripulante ou, diretamente, com o atirador sentado na escotilha. O periscópio da torre permite um campo de visão de 25º com zoom de oito vezes. O periscópio tem um óculos de visão noturna de 2ª geração com campo de visão de 22º e com

zoom de até sete vezes.

Outras três MAGs podem ser instaladas em pedestal simples na escotilha do comandante e em duas escotilhas dos tripulantes traseiros. O veículo não está equipado com armas mais poderosas, pois sua função é dar proteção à infantaria até chegar onde precisa ir e fazer o seu trabalho a pé. Um total de 4 mil tiros de metralhadoras são levados internamente.

A proteção é melhorada com seis lança-fumígemos CL-3030 para autoproteção do arco frontal. Também é possível gerar cortina de fumaça lançando diesel no escapamento do motor do lado esquerdo. O blindado tem sistema de deteção de fogo e supressão. Também existe uma versão de Posto de Comando sem metralhadores e com mais rádios.

O Achzarit está em serviço na brigada de infantaria Golani e em outras duas brigadas de infantaria de reserva. mais unidades devem receber. Os batalhões de infantaria blindada da IDF são um exemplo para outros exércitos sobre a proteção que deve ser dada à infantaria.

A empresa Nimda está desenvolvendo uma versão melhorada do X3A1 Achzarit chamado Achzarit Mk2. Ele terá blindagem melhorada, suspensão de longo curso usada no Merkava para maior mobilidade em terreno acidentado no lugar das barras de torção do T-55, e um motor diesel GM 8V92T de 736 hp no lugar do 8V71 usado originalmente. O armamento será melhorado com o uso de uma torre OWS25 da Rafael, que opera remotamente um canhão M242 Bushmaster de 25 mm. Lançadores de mísseis Spike poderão ser adicionados à torre.

O Achazarit usa uma torreta OWS (Overhead Weapons Stations) modular produzido pela Rafael, equipado

com armas de vários calibres, que podem variar de 7,62 a 25 mm. O modelo OWS 7,62 equipa o Achazarit e

outros veículos modernizados em Israel, como o M-113 Zelda e o Puma.

Dados técnicos:

Peso: 44 t

Proteção: 14 t de blindagem Blazer/Claymore

Armamento: 7,62, 12,7, 25 mm, NTS Spike

Velocidade: 70 km/h

Pressão no solo: 0,54 kg/cm

Consciência espacial: 360 graus

Nagmashot, Nagmachon, Nakpadon e Puma

A IDF também já desenvolveu outros VBIs pesadamente blindados. Em particular, antes do protótipo do Achzarit ser construído, já apareceu a necessidade de um veículo de infantaria

com blindagem pesada para controle de distúrbios e patrulhar a zona de segurança no sul do Líbano. Isso levou à conversão no fim da década de 80 de CCs Centurions (chamados Sho’t na IDF) em um VBI chamado Nagmashot (1983) e Nagmachon (fim da década de 80), que pode

levar oito infantes.

A conversão envolveu a troca da torre do canhão do Centurion por uma estrutura fixa com mais de quatro metralhadoras de 7,62 mm ou 12,7 mm e a instalação de conjuntos de blindagem reativa (ERA) na parte frontal e lateral e de saias blindadas para as largatas.

[img]http://sistemadearmas.sites.uol.com.br/ter/vbipnagmashot.jpg[/img]

Versão atual do Nagmachon, o primeiro VCI pesado baseado no chassi do Centurion e coberta com blindagem tipo appliqué e ERA. Assim como os outros VBI-Ps israelenses, o Nagmachon podia ser armado com um morteiro de 60 mm no alto do chassi.

Em 1993, o conflito no Líbano levou ao desenvolvimento do Nakpadon, versão melhorada do Nagmashot e Nagmachon. Ele tinha ainda mais blindagem que o Nagmachon, principalmente contra minas e mísseis anti-carro. A proteção contra minas salvou muitos ocupantes de ferimentos e até vidas. O Nakpadon pode levar mais de 10 tropas e é equipado com quatro metralhadoras, externamente. Foram convertidos de Centurions que tinham a torre danificada.

Devido à grande proteção blindada, ele pesa 55 toneladas, sendo o VBI mais pesado já construído. Para compensar o peso, o motor diesel AVDS de 750 hp foi trocado por um AVDS 1790-SA de 900 hp usado no Merkava Mk 1.

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O Nakpadon é equipado com ERA de 3ª geração, saias laterais com projeto EKE (idêntico ao USMC LTVP7) e armado com metralhadoras MAG de 7,62 mm e lança-granadas de 40 mm. Cerca de 80 Nakpadon estão em operação na IDF, assim como 300 Achzarit.

A IDF também desenvolveu um veículo blindado de assalto de engenharia baseado no Centurion,

chamado Pumaderivado do Nagmashot. Ele pesa 50 toneladas e constuma ser confundido com

o Nagmachon por usar o mesmo motor de 900 hp do Merkava Mk 1. O primeiro Puma, que pode levar mais de 8 tropas, foi entregue em 1991. Está equipado com o sistema anti-minas Carpet

[img]http://sistemadearmas.sites.uol.com.br/ter/vbippuma.jpg[/img]

Veículo blindado de engenharia Puma derivado do Nagmashot. O Puma usa blindagem de tecnologia MAG-ACH, torreta com metralhadora MAG controlada remotamente e suspensão do Merkava.

Israel está estudando o uso do carro de combate Merkava 1 que estão sendo retirados de combate como blindado de transporte de tropas. O veículo se chamará Nemerah (foto) e o desenvolvimento dependerá da disponibilidade de verbas. Os M-113 modernizados com blindagem adicional estão se mostrando inadequados para operar na faixa de Gaza.

BMP-4 / BTR-T

Em 1997, os Russos mostraram um novo protótipo de um VBTT altamente blindado chamado BMP-4/BTR-T (BMP = Boevaia Mashina Pekhoty pronunciado como: Boievaia Machina Piehoty – Veículo de Combate de Infantaria / BTR-T = Bronetransporter-Tiajelyi-pronunciado como: Bronietransportier-Tiajielyi – Veículo Blindado de Transporte de Tropas – Pesado). É uma modificação do chassi do T-55 com a torreta do BTR-80A.

Esta configuração é baseada nos aprendizados do conflito na Chechênia, onde grandes perdas nas tropas mecanizadas foram infringidas nos BMP, BRDM e BTR levemente blindados contra ameaças modernas, apesar a liderança ruim também ser um dos fatores. Apenas os T-72 com blindagem mais pesada conseguiam sobreviver aos impactos das RPG-7 chechenas.

A experiência adquirida em combate, incluindo em outros conflitos como o Afeganistão, revelaram a necessidade de proteção para os elementos de infantaria motorizada dos meios modernos de destruição. A blindagem adicional nos BMP-2 no fim do confligo do Afeganistão e no BMP-3 refletem esta espectativa da década de 80.

Um BMP-2 patrulha as ruínas de Grozni em fevereiro de 2000. A falta de treinamento e equipamento inadequado levaram à perda de um batalhão blindado completo e a devastação de uma grande área de estruturas em um único engajamento. O conflito em localidade é uma forma de forças mais fracas enfrentarem forças maiores ou mais sofisticadas com alguma igualdade.

Os modelos atuais de veículos de rodas, como o BTR-80 e BRMD, e veículos de esteira

como o BMP e o MT-LB, nem sempre podem dar proteção para tropas no campo de batalha.

Implementando o conceito de máxima proteção, o escritório de projetos Transport Machine-Building e a fábrica Transport Mashine-Building se associaram para produzir um protótipo de um VBI pesadamente blindado a partir do CC T-55 para ter a mesma proteção dos modernos CC. Em 1996 o fabricante propos uma versão do T80, mas os estudos mostrou que seria um blindado caro.

O fabricande diz que é possível implementar o conceito em qualquer chassi russo obsoleto. Já existe precedente de uso em israel e um mercado mundial em potencial.

Um grande número de T-55 foi retirado de serviço por estarem absoletos e estão disponíveis para conversão em VBI-Ps. Mais de 100 mil T-55 foram fabricados e retirados de serviço após acabar a vida útil.

O resultado foi o requisito de um VBI altamente blindado para uso em formações especializadas para combate em localidade. Não se sabe se o BTR-T está sendo produzido para equipar forças locais ou para exportação. O veículo é considerado lento para acompanhar os CCs modernos, sendo indesejável para guerra de manobras, podendo ser usado em guerra em regiões montanhosas.

BMP-4/BTR-T sem o lançador Konkurs. A equipe desmontada entra e sai por duas escotilhas atrás da torreta. Elas abrem para a frente para dar proteção de armas vinda desta direção.

A reconfiguração do compartimento da tripulação permitiu a acomodação de um comandante/artilheiro, motorista e cinco tropas desmontadas.

A proteção do veículo foi melhorada com a instalação de geradores de cortina de fumaça e sistemas de blindagem reativa (ERA).

O compartimento permite operações em ambientes QBR e em qualquer condições climáticas. O BTR-T foi projetado para transpotar unidades mecanizadas em ambiente QBR, sob fogo inimigo e destruir alvos inimigos. Isto mostra que os russos ainda enfatizam a guerra QBR.

Arranjo interno do BTR-T. O chassi não foi tão modificado como o Achzarit israelense.

O compartimento de combate tem conceito modular e permite que o BTR-T seja equipado com qualquer sistema de armamento de acordo com os requerimentos do comprador.

Montado no lado esquerdo da torre e recuado para esquerda esta uma torreta com um canhão externo 2A42 de 30mm, e um lançador de mísseis anti-carro Konkurs (AT-5) ou Kornet(AT-4). A torreta é modular e outras armas podem ser adicionadas de acordo com requerimentos operacionais podendo ser equipada com optrônicos sofisticados.

característica mais distinta do BRT-T é a torreta de pequena silhueta. O BTR-T pode ser usado para transportar uma subunidade de infantaria motorizada em ambiente hostil e de QBR e derrotar alvos hostis. O canhão e ATGM são capazes de destruir alvos aéreos e terrestres com pouca blindagem e alvos terrestres com blindagem pesada. A blindagem ERA Kontack 5 é capaz de proteger contra munição SABOT de 105mm.

Armamentos russos disponíveis:

1 – Canhão automático 2A42 de 30mm e lançador Konkurs (calibre 135mm/2 mísseis)

2 – Canhão automático 2A42 de 30mm e lança granadas AGS-17 de 30mm

3 – Canhão 2A38 duplo

4 – Metralhadora NSV de 12,7mm e lançador Konkurs (calibre 135mm/2 mísseis)

5 – Metralhadora NSV de 12,7mm e lança granadas AGS-17 de 30mm

O uso de armamento padrão OTAN também é opcional.

A primiera vista parece uma boa idéia converter blindados absoletos em transporte de tropas com boa blindagem e proteção contra minas. A desvantagem é usar peças diferentes do CC principal. Outra é o problema da tropa ter que desmontar no teto, principalmente em terreno urbano, ao invés de traseira ou lateral como nos velhos BTR-152 e -50.

Outra limitação (relativa) é a falta seteiras de disparo.Uma torreta estabilizada com sistema de controle de tiro é mais efetiva que tropas gastando muita munição.

A mobilidade pode limitar o acompanhamento os CC como aconteceu com os M-113 e M-1 no Golfo em 1991. Isto pode levar a troca da suspensão e motor. Uma possibilidade é o BTR-T no pelotão de segurança para compania de CC.

Dados técnicos

Comprimento: 6,5 m

Largura: 3,3 m

Altura: 2,3 m

Peso: 38,5 t

Velocidade máxima: 50 km/h

Velocidade: 50 km/h

Vau: 1,4 m ou 5 m com Snorkel

Alcance: 500 km

Gradiente e rampa: 32 graus

Gradiente lateral: 30 graus

Obstáculo vertical: 80 cm

Profundidade: 2,7m

Blindagem 200mm aço contra CSR e mísseis AC

+ ERA equivalente a 600 mm com 30 graus

Lança fumígenos: 12

Motor V-55U, 620 hp

Tripulação 2 + 5

Armamento: 1 x 30mm 2A42, 1 x AT-5

Munição: 200 x 30mm, 3 x 9M113

Proteção adicional: QBR

Fabricante: ZTM

HIVF

KMDB Kharkiv Morozov Design Bureau russa apresentou o conceito do Heavy Infantry Fighting Vehicles (HIVF) que tem o objetivo de realizar operações como parte de formações de blindados junto com os CC ou operar sozinhos.

O HIVF tem armas, proteção e mobilidade idêntica aos CC por ser derivados deles. O sistema de controle de tiro e armas são iguais e podem combater qualquer ameaça. O HIFV podem ser usados ofensivamente ou defensivamente, em operações de larga escala ou conflitos locais e operações de paz.

A tendência de melhorar capacidade do infante com blindados leves de transporte de tropa levou ao desenvolvimento de blindados com capacidade de transporte e combate. São vulneráveis as armas anti-carro inimigas e tem que ficar mais atrás na formação, não podendo acompanhar os CC. Os VCI só podem ser usados para atacar infantes e não servem para combate real contra qualquer ameaça.

A KMDB apresenta o modelo BMT-72 baseado no T-72 modernizado. Usa um motor a diesel 6TD-2 do T-84 que aumenta a potência do veículo e também tem um novo compartimento para levar tropas entre o motor e a torre. A tropa usa escotilhas para desmontar. Os infantes podem disparar de dentro do veículo ou desmontado e continuar como infantaria a pé. Se levados em cima do tanque os infantes correm mais risco de serem atingidos. Os infantes e blindados atuando junto podem dar proteção mutua e manter território.

O BMT-72 tem proteção adicional, APU, ar condicionado e sistema navegação melhorado. Pesa 50 toneladas, com tripulação de três mais cinco tropas. É armado com um canhão 2A46M de 125mm, uma metralhadora coaxial de 7,62mm e uma metralhadora externa de 12,7mm. O blindado leva 30 tiros para a arma principal sendo 22 no carregador automático (APFDS, HEAT, HE-FRAG e mísseis guiados a laser).

A versão BMT-84 também está em desenvolvimento e pesa 48,6 toneladas.

TSCV

A Ural Transport Machine Construction Bureau (UKBTM) projetou com fundos próprios o protótipo do Veículo de Apoio de Combate de Tanques (TSCV), ou BMPT, baseado no chassi do T-72M1. O BMPT já está operacional e liberado para exportação. A função do TSCV será operações de armas combinadas para destruição e neutralização de poder de fogo que ameace blindados, destruição de blindados e demolição de casamatas em quaisquer condições.

O BMPT (Object 199) é armado com um canhão 2A42 de 30mm com 600 tiros, quatro mísseis anti-carro Kornet, lança-granadas AGS30 e metralhadoras de 7,62mm. O blindado é equipado com uma torre com comandante e atirador e mais dois tripulantes no lado do motorista que operam lança-granadas ou metralhadoras. O armamento diverso permite bater qualquer alvo em qualquer terreno. O peso de 47 toneladas equivale a 32 toneladas do chassi, 5 toneladas da torre e mais 10 toneladas de blindagem adicional (que inclui ERA). O peso maior foi compensado com a instalação do novo motor V92S2 de 736kW.

O BMPT funciona diferente dos VBI-P que levam tropas em locais sob ameaça anti-carro ou áreas onde blindados mais leves são inadequados (montanha e cidades). O objetivo é dar apoio de fogo para os carros de combate. Os carros de combate tem que engajar vários tipos de alvos no campo de batalha como outros blindados, fortificações, posições de tiro, e tropas anti-carro. O BMPT ficaria responsável pelos alvos secundários.

O BMPT pode ser construído do zero ou reconstruído a partir de blindados usados, como o chassi do T-90 (o peso total do T-90S é de 46,5 toneladas).

Temsah ICV

O blindado jordaniano Temsah (Crocodilo) é um VCI pesado baseado no CC Centurion que foi mostrado pela primeira vez na IDEX 2001 em Abu Dhabi. Chamado Projeto AB13, é um demonstrador desenvolvido pela KADDB em colaboração com a Mechanology Design Bureau sul africana e a Helio britânica. O objetivo é investigar se a conversão de CCs Centurion (Tariq) é custo-efetivo. A KADDB também esta patrocinando o projeto alternativo AB14 Goliath ICV da fábrica Malyshev ucraniana.

No AB14 apenas o casco inferior e o compartimento do motor foi mantido, junto com o motor diesel AVDS 1790 V12 e a transmissão CD850 usadas pelo Centurion. Para colocar o compartimento da tripulação na traseira do casco, a direção de movimento do veículo foi invertida e a geometria da suspensão rearranjada. A "nova" frente foi reprojetada para melhorar a proteção, espaço para armazenar combustível, e entrada de ar, filtração e exaustão. O compartimento do motorista foi modificada com parte do compartimento da tripulação e é acessada via rampa traseira operada eletricamente.

O motor poderá ser trocado pelo General Dynamics AVDS1790-2C com 950hp com transmissão Allison CD850.

A tripulação é de um motorista e um comandante/operador de armas e a seção desmontada de mais de 10 infantes com suprimentos adicionais. A capacidade total de carga é de 5 toneladas. Compartimentos acima das esteiras permitem armazenamento adicional. O volume interno é grande e permite que seja usado para outras funções com Posto de Comando e ambulância. As dimensões são de 1,45m de altura, 1,5m de largura e 3,5m de comprimento.

A proteção é do mesmo nível dos CCs e pode acomodar kits de blindagem adicional e ERA. A blindagem resiste a munição de 30mm APFSDS e a frontal resiste a munição de energia cinética de 125mm num arco de 25º. As laterais tem saias massivas que aumentam a proteção do casco. Um sistema de proteção QBR pode ser adicionado. O casco tem cobertura atenuadora de radiação IR.

A empresa Helio esta fornecendo a torreta SWARM (Stabilised Weapon and Reconnaissance Mounting) com um canhão de 20mm. O modelo mostrado na IDEX tem uma camera de imagem térmica, TV CCD e telemetro laser, junto com um canhão Giat M621 de 20mm. As unidades de produção com a SWARM terá uma metralhadora 7,62 coaxial e um sistema de mísseis anti-carro.

Algumas versões do AB-14 estão sendo preparadas. Uma com a versão da torre SWARM com canhão de M230 Chain Gun de 30mm (usada no AH-64) poderá ser mostrada. A torre também poderá levar mísseis anti-carro como o KBP Kornet (AT-14) ou o Kentron ZT-6 Mokopa. Outra versão poderá ter o canhão de 100mm do BMP-3.

Acredita-se que a proteção é de cerca de 1500 mm de RHA na parte frontal e 1000 mm lateral. Outros sistemas defensivos planejados incluem um sistema de alerta laser AVIMO LWD2 e um lança granadas de fumaça. A blindagem será aprimorada com saias mais finas e blindagem reativa.

Outras tarefas para o AB14 estão sendo estudadas. Entre as variantes estudadas estão um veículo de resgate, um porta-morteiro, um posto de comando e um Sistema de Canhão Móvel. A última variante poderá usar o canhão de alma lisa L50 de 120mm que esta sendo desenvolvido para o projeto do blindado AB9C4 Falcon.

O custo estimado para a conversão do Tariq para o Temsah ou Goliath é de US$40.000-60.000

[img]http://sistemadearmas.sites.uol.com.br/ter/vbiptemsah1.jpg[/img]

O Temsah foi mostrado ao público na IDEX 2001.

O compartimento da tripulação é acessado por uma rampa traseira operada eletricamente.

O VBI-P Brasileiro

O Exército Brasileiro (EB) não opera nenhum VBTP pesado e nem tem planos para sua adoção. O EB está planejando a substituição dos blindados sobre rodas EE-9 Cascavel e EE-11 Urutu nos Regimentos de Cavalaria Mecanizada.

Os M-113 deveriam ter sido substituído pelo VBTP Charrua da Bernardini nos regimentos de cavalaria blindada e de infantaria blindada. O M-113 é o acompanhante dos M-41C e agora está operando em conjunto com os M-60A3 TTS e Leopard 1 adquiridos pelo EB.

O M-113 tem blindagem proporcionalmente inferior ao M-41, que são levemente blindados, mas têm blindagem bastante inferior aos atuais CC do EB.

As dimensões do país coberto por rodovias favorece o uso de blindados sobre rodas, mas ainda há espaço e possibilidade de emprego de veículos sobre largatas.

Os M-113 ainda são úteis para as missões atuais e futuras? Eles ainda podem ser modernizados ou repontencializados ou precisam ser substituídos, mas se forem consideradas novas missões

e novas realidades enfrentadas, pode ser que o EB precise de um VBTP com blindagem melhorada.

A Doutrina Delta, que é usada para conflito convencional limitado no continente e fora do TOA,

cita nos seus princípios que as perdas humanas devem ser mínimas e deve-se lutar em toda profundidade no campo de batalha, incluindo infiltração na retaguarda do inimigo. Os VBI-Ps seriam uma plataforma necessária nesse tipo de cenário.

Entre os usos do VBI-P pelo EB podemos citar:

– Guerra convencional atuando e conjunto com o Leopard 1 e M-60

– Guerra de guerrilha atuando sozinho ou com apoio de um CC

– Combate em localidade

– Operações em áreas montanhosas

– Operações de paz em áreas de alto risco complementando blindados sobre rodas

– Reconhecimento atrás das linhas inimigas

– Operações militares de baixa e alta intensidade no TOA

As ameaças atuais e futuras são:

– Guerra na região sul, a mais propícia para guerra blindada. Pouco provável que aconteça

– Conflito na Amazônia

– Defesa interna contra forças adversas (guerrilha rural e urbana)

– Operações de paz

Parece um absurdo incluir o uso na Amazônia, mas os blindados americanos também tiveram

uso proveitoso nas selvas do Vietnã e inclui combate contra outros blindados. O uso na Amazônia foi incluído, pois os blindados podem acompanhar comboios em estradas atuando como escolta, como ocorrido no Vietnã. Em caso de vias não pavimentadas, ele pode ser usado como trator para retirar veículos sobre rodas de atoleiros. Também pode ser usado em combate em localidades da região. Algumas regiões da Amazônia também não têm selva.

Entre as opções de um VBI-P para o EB temos:

– Adaptar os M-41C que estão sendo substituídos pelos Leopard e M-60

– Adquirir um CC de 2ª mão, como o T-55 russo, Leopard 1 e até mesmo o M-60. A melhor opção

seria padronizar com o Leopard. A torre obviamente será retirada. Um T-55 custa no mercado mundial no mínimo US$ 50 mil. Estes veículos são facilmente encontrados no mercado. Apenas a Alemanha tem cerca de 699 Leopard 1A5, 267 Gepard e 589 Marder VCI em estoque para venda. Os Leopard 1 adquiridos pelo EB custaram US$250 mil cada.

– Projetar um VBI-P novo que poderia ser exportado. Pode ser até a base para uma família de

blindados que incluiria um CC e que substituiria posteriormente os Leopard e os M-60

– Aproveitar os chassis / projeto dos CC Tamoio da Bernardini ou EE-T1 Osório da Engesa.

– M113 modernizado com blindagem pesada e ERA

– Charrua novos com blindagem pesada e ERA

Os custos são um fator fundamental. Enquanto os M-41 e M-113 já estão disponíveis para adaptação, a aquisição de blindados no exterior ou o projeto de um novo chassi custaria bem

mais caro.

Até mesmo a aquisição de um VBTP no exterior pode ficar mais barato que o projeto e produção de um blindado novo, haja visto as pechinchas que os russos oferecem. O Irã está adquirindo

cerca de 550 BMP-3 por US$ 100 milhões, ou seja, cerca de US$180 mil cada. Um blindado Centauro novo custa cerca de US$ 2,5 milhões na versão mais simples.

O chassi do M-41 ainda pode ser aproveitado para uma função mais simples de transporte de tropas. Seus motoristas consideram-no ágil e rápido e com grande mobilidade. Um M-41 simplesmente reboca os Urutu e Cascavéis atolados em lamaçais e leitos de rios. O peso de blindagem adicional pode ser compensado pela retirada da torreta. O peso de um blindado tem limitações para operar em estradas secundárias no Brasil devido a limitações de estruturas de pontes e "mata-burros". Os "mata-burros" encontrados na zona rural precisam de reforço para a passagem dos M-41 e mesmo assim costumam sofrer danos na estrutura.

Se armado com um canhão automático, o M-41 modernizado pode ser usado como veículo de reconhecimento ou VCI. Seria um fim bem nobre para um CC já absoleto.

Montagem do M-41C numa configuração semelhante ao Nakpadon e armado com metralhadoras de 12,7mm.

Um M-4 Shermam americano nas selvas das ilhas do Pacífico Sul (Bouganvile) em março de 1944. O uso de blindados em guerra na selva é fato antigo na história militar.

Última edição por IgorMaxx : 12/07/2007 às 19:34.

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Arquivado em Armamentos, Exército, Guerra

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